09
Jun
11

Istambul – Turquia

Hoje vou postar um texto que o Wil escreveu sobre a Turquia no avião, voltando para Londres =) Espero que gostem!

Em uma das cidades mais antigas do mundo, recheada de histórias, conquistas e rebeliões, antiga capital de dois impérios, não sei nem por onde começar. O que falar sobre Istambul – cidade mais populosa da Turquia? Qualquer diferença cultural causa espanto, receio e curiosidade, e ter meu primeiro contato com o Islamismo não foi diferente. Na minha singela opinião, o choque entre a cultura islâmica e o ocidente (principalmente entre as modernas nações capitalistas), de uma forma bem leviana, define o caráter conflituoso do mundo contemporâneo, afinal são como um manancial dos conflitos políticos e religiosos Pós-Guerra Fria. A cultura ocidental, materialista e imoral, tende a assimilar mulçumanos à “extremistas islâmicos” componentes e/ou cúmplices de grupos terroristas como o Hamas, Al Qaeda, etc. Pré-julgam o modo de vida islâmico, sua cultura, e sua forma de viver, porém, de perto se percebe que, apesar de misteriosos e do patriotismo, não pretendem manter esta extremista chama acesa.

Como qualquer guia turístico lhe mostra, é fácil de perceber como os remanescentes do império romano se misturam com as figuras do império otomano, mas, mais nítido ainda – e novo – é perceber como a cultura ocidental se mistura com a islâmica. Mulheres de burca e garotas de decotes; Mc Donald’s produzindo Kebaps; colares e artefatos turcos com estampas da “glamourosa” marca Louis Vuitton. Não há duvidas de como o imaginário ocidental que dita o caminho para “felicidade” está enraizado em diversas culturas ao redor do globo, graças ao “recente” processo de Globalização, carinhosa e sarcasticamente apelidado de “Globalitarismo” pelo Advogado e Geógrafo Milton Santos.

As mesquitas mulçumanas nos dizem muito sobre seus passados carregados e misteriosos. Entra-se sem os sapatos, mas não sem o respeito. Embora não há como negar a beleza e riqueza de detalhes – a sobreposição da arte otomana ante ao império grego – medalhões caligráficos dourados em menção à Alah podem ser encontrado a poucos centímetros de distância de imagens cristãs (Como o mosaico de cristo e virgem mariia na basílica de St. Sophia). Mesmo com uma mente imparcial e pleno respeito pela cultura, o silêncio e a “paz de espírito” que ali são praticados não me surtem efeitos. Acho bonito e admiro a completa devoção dos Xiitas e Sunitas. Porém, particularmente tenho uma relação de “amor & ódio” com as edificações. Não diria “ódio”, mas parte de mim repudia aquilo, de alguma forma que não consigo entender. Talvez pelo fato de que, inconscientemente (ou não), sabemos que a magnitude e beleza destas mesquitas foram construídas à custa de muito sofrimento e sangue de escravos ou então perceber claramente o contraste da imponência e ostentação das mesquitas em um país onde as pessoas ainda não tem o que comer e/ou onde dormir. Pelo menos pra mim, perante a esta reflexão/contraste, a beleza fica um pouco jogada de lado. Depois de 16 séculos de banhos de sangue, ainda consigo sentir a cidade carregada, com um clima denso e pesado, característico de uma área que já passou por chacinas e massacres.

Os labirintítiscos bazares nos legitimam que o ser humano, independente de sua raça, cor, cultura ou religião tem um ponto em comum: Somos aquisitvos (talvez o motivo das chacinas e massacres citados acima). Nos preocupamos com o lucro acima de qualquer coisa. É difícil – praticamente impossível – abordar um comerciante para uma conversa casual, para trocar algumas figurinhas sobre estilos de vida, para aprender e também ensinar, sem ser empurrado por uma gama de mercadoria ou sem sofrer uma tentativa de ser extorquido. A exploração de mão-de-obra (até mesmo infantil e indo além, dentro de “negócios familiares”) é clara e aceitável. O sangue ferve em ver até onde chegou os limites da humanidade.

“In sha Allah” (graças a Deus em turco), existem as exceções. Existem aqueles dispostos a lhe contar a história sobre a terra – que diga-se de passagem, não cabe em um livro – a cultura local e o trabalho digno e sem exploração. Existem também aqueles curiosos sobre a cultura do resto do mundo, sobre as diversas formas pela busca da felicidade e comportamento. É claro que existem também os extremistas, que acreditam que a ação de violência que grupos terroristas cometem, é na verdade, uma re-ação dos resultados da “nova ordem mundial” e de um sistema que valoriza o lucro acima de qualquer sentimento humano. Estes lutam contra um regime “ditador”, porém, desligados do mundo, pois foram os mesmo que gritaram para manter o Kadafi longe do povo da Líbia duas semanas após ele renunciar. Irônico não? Principalmente porque li há alguns dias atrás uma matéria com o título “e se um comando Iraquiano invadisse a mansão de Bush, mata-lo à sangue frio, e atirassem o corpo ao mar?” Enfim, não estou dizendo que sou a favor ou contra estes tipos de comportamento e/ou pensamento. Tenho minha visão antropológica e minha filosofia em relação a isso, porém, só estou relatando o que vi e percebi, afinal, este texto não tem nenhum interesse a não ser de deixar registrada a minha oportunidade de conhecer um mundo tão diferente, e afinal, eu escrevi, escrevi, escrevi e não consegui dizer nada! Se tiver a oportunidade, vá à Turquia, embora fico com uma sólida citação do Corão: “A Concórdia é o melhor, apesar de o ser humano; por natureza, ser propenso à ganância.”

Wil Zaidan

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